Além disto, é comum e aceitável que durante o período eleitoral os filiados a um partido político concentrem-se única e exclusivamente na disputa que se aproxima, e nos longos e intermináveis 3 meses de disputa eleitoral a estrutura partidária esteja toda concentrada neste esforço, isso é saudável, inevitável e estimula a militância a engajar-se na vida pública.
Entretanto, penso que ao menos os dirigentes partidários deveriam separar ambos os cenários descritos acima. São situações de igual importância, mas completamente diferentes uma da outra. A importância dos partidos políticos para o sistema democrático e a disputa eleitoral. São diferentes principalmente porque em uma situação existe a disputa, e na outra pelo ao menos em tese, cada um dos lados teve o seu papel definido pelo eleitor. Mas também porque sem o trabalho do partido no cenário não eleitoral, as eleições são vazias de conteúdo e os mandatos permeados por ações eleitoreiras.
Misturar os dois momentos do processo político diminui as instituições e os políticos, além de ser uma afronta o sistema jurídico brasileiro, consiste também num risco ao sistema democrático em que vivemos, pois joga no lixo tanto as leis como o bom senso.
Por incrível que pareça não faço essas criticas aos abusos do presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores, que transformaram a maquina pública estatal no patrocinador oficial das campanhas petistas Brasil a fora. Acho que por vezes é preciso olhar para o próprio umbigo antes de apontar erros alheios.
O Diretório Estadual do PSDB do Paraná, partido ao qual sou filiado desde 1997, vem sendo ao longo dos últimos anos, reduzido a simples instrumento de interesses eleitorais e gradativamente transformado em um comitê de campanha. E essa mudança de rumos do PSDB do Paraná provocou 3 grandes equívocos.
Primeiro porque ao dedicar-se única e exclusivamente à campanha eleitoral fora do período apropriado para isso, o PSDB deixou de cumprir o nobre papel institucional que lhe foi relegado, abandonou o debate, não faz oposição ao governo federal, deixou de discutir propostas, a idéia de trabalhar em um projeto de desenvolvimento econômico e social para o estado do Paraná foi deixada de lado. O Instituto Teotônio Vilela do PR foi engavetado, não existe do ponto de vista prático, o que se faz hoje são encontros e palestras em que um dos pré candidatos ao governo do estado fala de suas experiências na administração pública. A militância e o eleitor são meros espectadores nestes eventos.
O segundo grande equivoco do PSDB do Paraná é nadar na contramão dos grandes líderes do partido e da Executiva Nacional do Partido. Que diante de duas importantes pré-candidaturas à Presidência da República mantém-se firmes na posição de neutralidade. Não permitem que preferências pessoais interfiram de forma alguma na condução do partido, não utilizam-se da máquina partidária para beneficiar este ou aquele candidato. E isso sem perder a referência do papel não eleitoral que o partido tem perante a sociedade brasileira.
É preciso mudança, mas antes de pensarmos em mudar nosso estado ou os rostos daqueles que ocupam posições de destaque no nosso estado é preciso mudarmos nossa prática, é preciso mudar a forma como enxergamos nosso próprio partido.
Gustavo Castro
Membro Titular do Diretório Municipal do PSDB de Londrina
Tesoureiro Geral da Comissão Executiva Nacional da JPSDB